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13 de mai. de 2016

Os ciclos na cruzinha

 
Uma Cruzinha é uma cozinha que não cozinha, nada. Para tanto, orienta-se pelos ciclos da natureza para produzir vida, de forma diferenciada e saborosa.

Qual o segredo do sucesso?

Planejamento para uma Alimentação mais Viva


O planejamento desse laboratório vivo deve ser estruturado de acordo a contagem do tempo, as condições climáticas ou realidade dinâmica das estações.


Legumes bebem água. E você?

Nos ciclos da Cruzinha, você fica mais atento aos frutos de cada época do ano e percebem que os vegetais são tão vivos como você.

Essa dica é simplesmente um prato com pouquíssima água, suficiente para dar de beber a alguns legumes. O prato vai morar na bancada da cozinha. A água será trocada de 2 em 2 dias. Colocar os vegetais para beber água. Revitalizá-los, ao invés de adoecê-los na escuridão fria e calculista da geladeira. Mais bonito! Mais colorido. Mais comunicativo para os olhos. Um verdadeiro arranjo criativo. Assim, sempre saberemos o que existe à disposição para comer ao sol de cada dia.


Lembrando que frutas, tubérculos, alhos e cebolas não gostam desta brincadeira. Ficam sempre no seco...

 Especialmente, os tubérculos e batatas... Moram em um alguidar de areia, a qual eu rego de vez em quando só para ficar geladinho. Nunca alagado, muito menos encharcado.



A vida é cheia de mistérios. Bom mesmo é fazer parte deles!





Observe! Veja como é lindo!!! Integrar-se à natureza por um portal translúcido e irreverente que mora dentro da sua casa: a cruzinha.




Se você permitir, sua cruzinha  pode vir a  tornar-se um ambiente sensível de ligação com a terra e, principalmente, um espaço de transformação. As estações mudam. Tudo muda!

 Já reparou?
Quanto mais frio, aumenta o tempo de cada germinação, interfere na completude do processo de fermentação. Quanto mais quente, reduz o tempo da germinação...


Cada casa, cada ambiente, cada cidade, estado ou país representa um tipo de biorregião ou ecossistema diferente.


No momento em que você percebe isso, amplia o processo de consciência e sai estatisticamente do padrão! Haverá, então, uma relação direta entre os ciclos da natureza e os ciclos da cruzinha. Você começa a vê-la como um lugar de pesquisa, um laboratório. Passará a identificar e perceber os  tempos necessários para que aconteçam os processos naturais de germinação, brotação, fermentação e desidratação.

O fluxo da vida é cíclico e circulante. Não conhece estagnação! Quando há energia humana convivendo e trocando energia no ambiente de vida e harmonia que é a cozinha... cuidado, amor e atenção transformam o mundo!

A Arte de Produzir Vida na Cruzinha




É o que chamamos de produção doméstica de alimentos:
  • germinação no ar: germinação diária.
  • água solarizada e chás de sol: com ervas e flores comestíveis variadas.
  • desidratados: pães, farinhas, bolachas, bolinhos ou massa de empadões, quando expostos ao sol;
  • conservas cruas: cebolas, beringelas, abóboras...
  • óleos vegetais crus: de cenoura, de jurubeba, de urucum, de pimentas...
  • fermentados crus: queijos; legumes prensados e demais receitas que podem demorar dias para ficarem prontas;
  • germinação na água: algumas sementes demoram um tempo considerável para consumo, como côco, amêndoas, nozes, avelãs, castanhas. Outras, porém, são mais rápidas, como a aveia, a cevadinha, a quinoa, bem como as nozes, as amêndoas e as avelãs, sem a casca.
  • brotação no ar ou na terra: deve sempre haver ciclos de germinação de sementes para reposição contínua do brotário e, consequentemente, garantir uma colheita constante. 
O planejamento prévio te organizará para uma produção variada e constante de alimentos. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, bem debaixo da ponta do seu nariz!

 E quando sobra?

Na cruzinha nada sobra. Tudo se transforma.

Nada de colocar na geladeira! Assuma o autoconhecimento do seu próprio corpo. Conheça a sua medida e passe a fazer comida do tamanho que você consegue comer.




A cruzinha ensina que comida viva é comida fresca. Portanto, crie novas possibilidades, ao invés de estocar alimento de forma desvitalizada!

Todo excesso se transforma em:
  • brotos (verifique a semente adequada. Algumas são tóxicas para esta finalidade);ou
  • fermentados ou conservas vivas (diferentes opções/tempos de preparo); ou
  • desidratados (diferentes opções/tempos de preparo); ou
  • compostagem (o alimento da terra).  
  •  

O ciclo da terra: compostagem


Observe que os ciclos de transformação da natureza estão presentes na rotina alimentar doméstica.
Portanto, a compostagem é o alimento da terra!!! Uma tecnologia que busca semelhança com o processo natural de decomposição ocorrido nas florestas. Com o tempo necessário e a constante sobreposição das folhas secas, o material orgânico que já cumpriu sua função na natureza volta a ser terra.

Aprenda sobre a criação de variados processos de compostagem urbana nos links:

O ciclo das águas: limpeza doméstica responsável


Com relação aos materiais de limpeza, damos preferência ao sabão de côco, tendo em vista a menor agressividade da sua composição química.

Combinamos seu uso com a bucha vegetal, em substituição à esponja, de fabricação sintética, cujo tempo de decomposição na natureza é bem mais avançado.

Conheça nossas receitas de produtos de limpeza ecológicos na postagem:  


Espero ter colaborado para ampliar a sua conexão com a natureza que existe dentro de você!

Um beijinho do coração,

Aline Chaves
Pesquisadora dos ciclos alimentares e alquimista de vegetais vivos

Sentada no telhado da menor Cruzinha do mundo. Espaço de Con-vivências das Panelas de Capim. Casimiro de Abreu-RJ
Vale à pena convidar vocês para o primeiro ciclo de oficinas que introduz à organização da cruzinha viva. Será que ocorrerá no último final de semana do mês de julho, aqui na sede das Panelas de Capim.

http://www.panelasdecapim.com/#!oficinas/c15f7


30 e 31/07- As Oficinas da Casa Viva: Organização dos espaços da cruzinha

Ciclo de oficinas para organização dos espaços da cruzinha. Oferecemos variados processos de produção doméstica de alimentos vivos. Desde a organização da desidratação até o planejamento da germinação e brotação das sementes, bem como fermentação de vegetais crus. Imersão na Alimentação Viva. Duração: 1 final de semana, saiba mais...

Inclui hospedagem sem roupa de cama e banho em ecohostel, todas as refeições com Alimentação  Viva e orientação pedagógica.

Informações sobre valores e inscrições: panelasdecapim@gmail.com


PARA SABER QUANDO SERÁ A PRÓXIMA ATIVIDADE, 
visite a agenda das Panelas de Capim:
Clique na imagem acima!

16 de ago. de 2013

Dicas de compostagem urbana

Se você não tem terra para plantar... brotos, ervas aromáticas, pimentas, tomatinhos, folhas para o suco de clorofila.

Saiba que o legal mesmo é poder fazer terra em casa!
A compostagem é um processo de digestão em que a terra pode ficar pronta em 6 meses! 
A compostagem é uma tecnologia que busca semelhança com o processo natural de decomposição ocorrido nas florestas. Com o tempo necessário e a constante sobreposição das folhas secas, o material orgânico que já cumpriu sua função na natureza volta a ser terra.

O mais interessante é que você vai completar seus próprios ciclos domésticos, produzindo suas sementes germinadas, seus brotos, desenvolvendo sua culinária com vitalidade e, por fim, seus resíduos produzirão terra para fazer novos brotos. Com isso, criamos em nós a percepção sistêmica de que fazemos parte da grande roda da vida, onde os ciclos se movem... para desfazer o pensamento linear que está embutido em nossas ações do dia-a-dia: COMPRAS-GELADEIRA-COZIMENTO-LIXO.

ATENÇÃO: Estas compostagens são para resíduos vegetais da cruzinha, ou seja, cascas e sobras de vegetais crus. Não vale a pena colocar outras coisas, pois desorganiza o sistema, ok? A natureza só gosta de comida crua.

Há alguns processos diferentes de compostagem das sobras alimentares...

1.Compostagem Aberta

Esta é uma compostagem para quem tem bastante espaço. Pode ser uma varanda grande ou um quintal urbano, com terra ou cimentado, não importa.

É fundamental que você encontre uma fonte de palhas secas, pois terá que tê-las sempre às mãos. Pode ser a grama cortada de um vizinho, de um condomínio ou de um clube. Você descobrirá! As palhas secas, além de proteger o composto, evitam mau cheiro.

Para criar este sistema de compostagem são necessárias três armações diferentes, nas quais serão colocadas as sobras de resíduos da cruzinha viva. São possíveis baldes grandes de plástico, galões de 50 litros ou vasos de plantas ou o que mais você encontrar oportunamente, depende da sua realidade.

Quem está no campo, pode organizar baias de compostagem com tijolos de barro, madeiras, pallets...

É importante que o material fique protegido por telhado para proteção da chuva, sob pena de encharcar o composto.

Qual a finalidade de serem três armações?
A dinâmica é a seguinte: enquanto uma armação recebe o composto, a segunda descansa, a terceira já descansou, assim sucessivamente. As funções das armações trocam conforme o tempo da decomposição e o uso do material compostado.

Exemplo de compostagem urbana na Varanda

Terra ficando pronta: 4 meses...
 Atenção: para quem não tem um quintal com terra, lembre-se que a compostagem solta um líquido percolado chamado chorume. Por isso, é bom ter uma proteção por baixo que funcione como um suporte. Serve aquele prato que coloca em baixo dos vasos de planta. Encha-o com terra!

Em qualquer das ocasiões, urbana ou rural, lembre-se de ter sempre folhas à mão para jogar por cima.

Procedimentos básicos da compostagem doméstica:
·       Camada de folhas verdes;
·       Camada de folhas secas;
·       Sobras de material da Cruzinha;
·       Camada de folhas secas;
·       E assim sucessivamente...

Na minha experiência pessoal, não há cálculo matemático para dizer em quanto tempo a terra fica pronta. Quer saber? Tudo depende. Depende de como é o ecossistema da sua casa. Na cidade, minha compostagem já demorou 6 meses. Na roça, demora de 3 a 4 meses. Então, depende da umidade do lugar e do nível de organização dos microorganismos vivos que moram nele... Aceite e aguarde que ela vem!!! Se quiser acelerar o tempo, revolva o composto. 

A dinâmica é a seguinte: enquanto uma armação recebe o composto, a segunda descansa, a terceira já descansou, assim sucessivamente.

Na minha experiência pessoal, não há cálculo matemático para dizer em quanto tempo a terra fica pronta. Quer saber? Tudo depende. Depende de como é o ecossistema da sua casa. Na cidade, minha compostagem já demorou 6 meses. Na roça, demora de 3 a 4 meses. Então, depende da umidade do lugar e do nível de organização dos microorganismos vivos que moram nele... Aceite e aguarde que ela vem!!! Se quiser acelerar o tempo, revolva o composto.

Pode ser realizada no quintal, com três armações de pallets, com três galões de 50 litros ou o que mais você encontrar oportunamente. O material deve ficar sob telhado para proteção da chuva, sob pena de encharcar o composto.

2.Boca da Terra

Esta é uma compostagem para quem não tem espaço, mas tem terra, ainda que seja pouca. Pode ser um canteirinho no canto do quintal ou alguns vasos de planta espalhados pela varanda ou dentro de casa.

Compostagem dentro do vaso de plantas: berçário feliz! Chuchu, abóbora, melão, palmas, batata doce e mudas de manga e limão galego.
A vantagem é que por ser uma compostagem fechada não causa odores, nem atrai a bicharada... Aliás, ninguém nem adivinha que ali dentro tem uma compostagem. É uma discrição sem tamanho!

Consiga latas com tampa. As latas podem ser grandes ou pequenas, depende da sua realidade. Se for uma lata de tinta, a tampa pode ser uma lajota. Todavia, seu fundo deve ser aberto para haver contato com a terra, a qual vai organicamente compostando o material oferecido.

Abra o fundo da lata com um abridor de latas. Coloque o fundo aberto da lata em contato com a terra. 

Adicione as sobras da cruzinha e tampe. 

 É necessário tampar sempre após colocar os resíduos.

 Com o passar do tempo, vá adicionando novos resíduos domésticos até não caber mais. Quando isso acontecer, deixe descansar com a tampa fechada. Não precisa colocar folhas secas. É só esperar que a Boca da Terra come e faz a digestão, rs.

Aqui, ao invés de colher a terra... você alimentará o vaso. Não sobra nada para contar história.

As plantas vão amar!!!!

3. Compostagem em Canteiros 

Este é um sistema inteligente de compostagem em tempo real onde há criação de terra on line.


Ao invés de organizar a compostagem em recipientes, aqui você cria um novo canteiro, a partir da disposição de material compostável. Na compostagem em canteiros, acumulamos toda a energia de maneira direta no espaço que pretendemos alimentar e enriquecer com matéria orgânica viva. Você poderá usar como base um vaso de plantas ou um caixote de feira... 


Vá fazendo a sobreposição de camadas com resíduos domésticos e folhas secas.
O princípio é o mesmo da compostagem aberta: serão colocadas camadas sucessivas de resíduos e folhas secas... até terminar a pilha com o material de folhas secas. Portanto, lembre-se de tê-las sempre às mãos para jogar por cima.

Procedimentos básicos da compostagem doméstica:
·       Camada de folhas verdes;
·       Camada de folhas secas;
·       Sobras de material da Cruzinha;
·       Camada de folhas secas;
·       E assim sucessivamente...

Ao encher todo o recipiente inicia o período de descanso. Aguarde que ela vai virar terra no lugar certo! 
Quando a compostagem estiver pronta, você verá que já criou um canteiro!  Funciona que é uma beleza!

O interessante é que os resíduos domésticos estão cheios de informações. Então, é bem possível que você veja nascendo espontâneos tomates, abóboras, maracujás, mamão...

Boas Terras para vocês!

com carinho,
Aline Chaves e as Panelas de Capim

22 de jun. de 2013

Re-ciclando terra...

Olá!

 Bem, então você vem fazendo lindos brotos... Não sabe o que fazer com a terra que resulta desse consumo?


Gramas de trigo
Esta é uma dica importante para quem deseja re-utilizar a terra dos brotos que já foram utilizados!!!

Sim, você escolheu otimizar seu tempo e energia organizando um sistema vivo de renovação, a resposta é: dá para aproveitar em uma nova plantação.

Eu, por exemplo, estou sempre renovando meu brotário com as terras dos brotos que já usei...

É simples! Você só precisa de 2 baldes furados... 

E jogo de cintura para observar os ciclos de transformação da terra :0)


Como funciona?
Após utilizar seus brotos, a terra que sobra vira um excelente preparado fértil. Só que, como tudo na vida, ela precisa de tempo para se decompor, certo?

Então, você vai organizar o tempo em baldes!!! Os baldes são furados no fundo para não reter umidade. Se você não tem quintal, coloca aquele reparo de vasos de plantas em baixo.

Balde 1: recepção das terras recém-utilizadas. Tampe com uma lajota para manter a umidade.


Balde 1: terra nova chegando
O descanso ocorre em 1 semana, tempo suficiente para as raízes dos brotos antigos se decomporem naturalmente. Viram terra nova outra vez. Isso significa que, após 1 semana esta terra está pronta para plantar e você já pode trabalhar com o segundo balde! :0)

Balde 2: é o balde onde você coleta a terra nova que já estava se decompondo desde a semana anterior (esse é o resultado do Balde 1 depois de 1 semana).
Balde 2: terra pronta
A tecnologia é colocar terra usada no Balde 1 novamente, enquanto você retira terra nova do Balde 2.

Após, 1 semana os baldes trocam de função e você começa tudo outra vez. Assim, você passa a reciclar a terra dos brotos!

Compreende?

Terra é tesouro... isso a gente não joga fora!

beijinhos

Aline

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Afinal, o que é Alimentação Viva para você?  Para nós, não se trata de um hábito alimentar, muito menos de uma dieta. A Alimentação...

Jovens postagens

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Desde maio de 2017, não publico mais no Blog Panelas de Capim! Criei um novo espaço virtual para compartilhar minhas melhores inspirações...

Deixo aqui este blog como espaço de memória e referência. Aqui mora um pequeno resumo dos muitos anos dedicados à pesquisa, onde usei (aliás, ainda uso) o meu próprio corpo como experimento.


O conteúdo deste blog é, portanto, ofertado a todos aqueles que desejam aprimorar-se nas práticas da Alimentação Viva e inspirar-se no estilo de vida ecológico.

Peço gentilmente que não utilizem as nossas publicações para fins comerciais. Só porque não vale à pena promover-se financeiramente às custas do esforço e criatividade alheios.

A Vida vem da Vida!

Com carinho,

Aline Chaves
A moça que planta nas panelas

Licença Creative Commons
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Baseado no trabalho disponível em http://panelasdecapim.blogspot.com.
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