De acordo com Ernst Gotsch, todos os seres vivos possuem uma característica comum:
Todos nós sentimos FOME
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Comendo mamão fresco na Agrofloresta! |
Na natureza, todos os seres vivos são orientados a cumprir uma função específica, orientada por um prazer interno. Alimentos são resultado da busca de prazer interno provocada pela fome.
Durante milhares de anos, o mecanismo da fome orientou nossos passos. A busca por alimentos serviu como impulso original para buscar novos caminhos, escolher para onde ir e onde ficar.
Atualmente, não sentimos mais fome. Perdemos nossa orientação. Comemos sem vontade, mas por apenas prazer imediato. Aquela sensação de dorzinha no final do estômago? Não, aquilo não é fome. É apenas sinal que a última digestão terminou.
A questão sobre os alimentos é muito mais embrionária do que atualmente se imagina. A importância da alimentação é vital para a manutenção do equilíbrio da vida.
Não estaríamos aqui se não fossem os alimentos!
Os alimentos estão no contexto dos princípios ecológicos que tornam a vida possível há 4,6 bilhões de anos.
A vida se organiza em
REDES... Vivemos porque estamos
interligados uns aos outros. Nada existe unilateralmente. Não existe linearidade, pois tudo são conexões!
Compreendemos que alimentar-se é estabelecer relações na Grande Teia da Vida.
A Teia da Vida é formada por elos de relações. Estamos em cooperação, co-evoluindo juntos com a finalidade de nos adaptar à impermanência e con-viver com as movimentações cíclicas. Nada existe de permanente a não ser a própria mudança. Vivemos porque a biodiversidade existe, a expressar a capacidade do ambiente de responder à qualquer desequilíbrio. Capacidade esta de conseguir se re-generar, de forma criativa: também conhecida como auto-transcendência.
Os princípios ecológicos estão a ensinar que existe uma inteligência na dinâmica da vida e quando nós fechamos os olhos para isso, nos desorganizamos.
O processo de construção das sociedades humanas demonstra como ocorreu a desconstrução desses princípios na ótica da vida comunitária.
O papel dos alimentos na construção na organização das sociedades humanas
A origem das sociedades humanas foi moldada pela história da nossa relação com os alimentos. O cenário vem sendo construído ao longo da nossa estada neste planeta. Desde que chegamos aqui, muita coisa vem mudando...
Em uma escala de apenas 10.000 anos... passamos de nômades-coletores, sedentários agricultores aos consumidores-tecnológicos do século XXI.
200.000 anos
Povos caçadores-coletores tinham acesso a diferentes tipos de plantas silvestres. Mantinham uma relação de proximidade com o ambiente e imprimiam estas relações no convívio social. Levavam consigo todos os seus pertences. Por isso, rejeitavam ações como a acumulação e o individualismo. Partilha e cooperação eram requisitos para a vida comunitária.
Buscar alimentos era interagir com o ambiente, a proporcionar conhecimentos sobre as características e os ritmos ecológicos do lugar.
10.000 anos
Quando os recursos alimentares silvestres já não são suficientes para sustentar a população, a agricultura começa a ser obrigatória e inicia um processo irreversível de transformação tecnológica e social das organizações humanas. As pessoas passam, cada vez mais, a se afastar da terra e a depender exclusiva e inteiramente de produtos cultivados por outras pessoas.
Com a agricultura surgem as aldeias e, mais tarde, as vilas e as cidades. Surgem também as profissões, as desigualdades e o individualismo.
500 anos
Com a Revolução Científica do Século XVI, o matemático e filósofo francês René Descartes cria a concepção mecânica e reducionista do mundo. Ele propõe um dualismo que separa a mente humana, dotada de razão, de todo o resto, que é composto por matéria: a natureza.
Era preciso ser sentir separado da natureza para poder explorá-la e dominá-la para poder conhecê-la.
A razão instrumental como método científico propõe que é necessário considerar a natureza um objeto para poder estudá-la. Com isso, morremos um pouco por dentro. Passamos a considerar tudo como objetos: a natureza, as outras pessoas, os animais, os vegetais e também os nossos alimentos. Inicia-se uma crise nas relações.
A dessacralização da agricultura
Dessacralizamos a agricultura quando a mecanizamos para transformar biodiversidade em deserto. A visão separatista da natureza, nos afasta dos princípios ecológicos e nos priva da capacidade de aprender com a dinâmica que sustenta a vida neste planeta, há 4,6 bilhões de anos.
Estamos homogeneizando paisagens em um planeta que vive orientado pela diversidade. Derrubamos florestas no chão para criar monoculturas. E quando a terra dá seu alerta de reversão contra esta conduta, não ouvimos o seu chamado.
Apelidamos plantas espontâneas de ervas daninhas e consideramos insetos amorosos como pragas... porque não conseguimos compreender que estamos guerreando contra a força da vida tentando se re-generar...
Ao invés de ler a mensagem das paisagens, dos insetos, dos vegetais e da desertificação dos solos, usamos armas químicas (herbicidas, adubos químicos, agrotóxicos).
E pior de tudo isso... é que estamos reproduzindo esta mesma atitude no nosso corpo!
Somos feitos à imagem e semelhança das nossas paisagens!
Vivemos em uma Teia de Vida interdependente e, literalmente, somos feitos à imagem e semelhança das nossas paisagens. Estamos sob a égide dos mesmos princípios, da mesma Rede, sob o manto da Vida que é uma só!
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Imagem microscópica das florestas que moram no nosso coração |
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Imagem microscópica das florestas nos nossos olhos. |
O corpo não reconhece comida sintética como alimento. Estamos adoecendo porque estamos homogeneizando nossas paisagens internas com outros tipos de AGROTÓXICOS:
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Alimentos sintéticos são biocídicos: destroem a vida que mora dentro da gente. |
Desse modo, reproduzimos os mesmos padrões que estamos utilizando na agricultura... no nosso corpo.
Quando consumos produtos sintéticos, renunciamos aos instintos alimentares e destruímos nossas florestas internas.
Quando desertificamos por dentro, acidificamos. Acidificamos nossos pensamentos, atitudes, nossas relações, nosso modo de estar-no-mundo com os outros. Adoecemos por completo!
A terra fértil é alcalina, portanto vegetais crus são alcalinos! Um corpo alcalino é aquele que se alimenta com a maior quantidade possível dos produtos vindos da terra.
A função dos alimentos é, portanto, re-orientar nosso alinhamento com a Grande Teia da Vida!
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Creme de abacaxi com amêndoas germinadas decorado maria-sem-vergonha |
Mais vamos querer nos aproximar da natureza, valorizar a simplicidade, nos relacionar de forma mais amorosa com as pessoas. Mais vamos sentir a força do fluxo da vida pulsando dentro de nós, dentro de nosso coração.
Para mudar é necessário coragem, o que significa AGIR COM O CORAÇÃO.
Comece Agora!
amei este site! lindo! parabéns!
ResponderExcluirQuerida, que bom que gostou!
ExcluirFico muito feliz e agradeço sinceramente suas palavras tão estimulantes...
É muito bom encontrar pessoas na mesma sintonia que a gente.
Que a PAZ esteja sempre dentro do seu coração!
beijos